O Mercado Editorial e a Internet
Escrito por Rafael Cruz on 14 July, 2009 – 1:35 pm -“Mais importante que o lançamento físico de uma obra (ou a quantidade de pessoas que vá e compre o livro no dia) é a repercussão que a notícia do lançamento dá na imprensa, para gerar as desejadas “vendas continuadas”. Pode-se lançar um livro apenas no Orkut ou no Youtube e conseguir ótimos resultados!”, observa Gustavo Arruda, que lançou seu quarto livro, “Deu com a Pleura!” (pela Zit Editora – RJ, com prefácio de Adriano Medeiros Costa – UFRN), utilizando somente a Internet como suporte. Depois de apenas 4 meses do lançamento, Gustavo já deu mais de duas dezenas de entrevistas para rádios do Brasil inteiro e conseguiu colocar seu livro em quase uma centena de jornais, revistas e sites de diversos estados.
Na prática, o mais difícil para se lançar um livro sempre foi conseguir contratar com uma boa editora. Mas, para encontrar uma editora hoje em dia a Internet pode ser uma grande aliada. Basta pesquisar, nos sites das editoras, o perfil editorial e estrutura adequados e enviar os originais da obra por email para fechar um contrato. Uma alternativa é lançar o livro sem editora, com as chamadas “gráficas de pequenas tiragens sob demanda”, que também recebem o material por email. Já as vendas podem ser on line (a partir de um site de “livraria virtual”), para o mundo inteiro, e sem distribuidores ou lojas de livros.
Só que, depois de lançar o livro, o escritor precisa também divulgar bastante a obra. E agora, com a Internet, isso isso tornou-se ainda mais fácil. O escritor providencia um site do livro (para servir de “panfleto virtual”), cria um blog (para interagir com os leitores), abre uma cyber-comunidade ou uma lista-de-discussão (para debater as idéias do livro) e divulga o livro por e-marketing (email). Depois, é só receber o retorno pelo celular (aonde quer que esteja) ou no webmail (em qualquer cybercafe), para começar a dar tele-entrevistas. Tudo sem gastar com passagem, estadia, translado, coquetel ou assessoria de imprensa.
Em entrevista exclusiva ao Cucamonga, Gustavo fala sobre a sua experiência:
Cucamonga – Como foi o processo de pesquisa da gráfica ideal para a publicação independente do seu livro?
GA – Não procurei uma gráfica, mas uma Editora. Gráficas você tem de todos os preços. Como as de tiragens sob demanda, por exemplo, que tornam a impressão bem mais viável. Mas a Editora ideal procurei pesquisando nos sites da Internet aquelas que possuíam o perfil editorial semelhante ao da minha obra. Peguei o endereço eletrônico de várias e mandei por email um resumo do livro, meus dados biográficos e uma proposta clara do que eu estava procurando. Aquelas interessadas pediram a “boneca” do livro “em papel”, pelos Correios, para análise.
Cucamonga - Em quanto tempo você recuperou o seu investimento inicial?
GA – Como o investimento inicial que fiz foi apenas com cópias, encadernações, emails (praticamente de graça), na primeira prestação de contas com a Editora já cobri esses custos.
Cucamonga – O que você fazia antes de publicar os seus livros?
GA - Era, e continuo, trabalhando com Administração de empresas, no escritório de uma distribuidora. Não almejo viver apenas de escrever, mas lançar livros como uma necessidade de expressão, prazer e complementação de renda.
Cucamonga – Você teve alguma orientação para planejar a sua campanha pela internet?
GA – Li alguns artigos na própria Internet sobre o mercado editorial em geral e os recursos da Internet como ferramenta. Mas, como já trabalhei com Marketing Direto e utilizo a Internet desde que a Web comercial começou no Brasil (há mais de 20 anos), ajudou muito. Assim, associei os 2 conhecimentos e comecei, na prática, a testar os canais viáveis para publicar meus livros, tendo hoje conseguido lançar 3 obras dessa forma.
Cucamonga -De tudo que você fez na internet, o que você observou que trouxe mais resultados?
GA - A segmentação de cadastros de emails, associada ao marketing de permissão. Ou seja, se você tem as pessoas certas para divulgar seu trabalho e essas pessoas aceitam receber as suas mensagens os resultados são ótimos. E muito mais barato do que mandar malas-diretas pelos Correios, fazer telefonemas, panfletos ou pagar para anunciar na Imprensa.
Cucamonga - Quais são as principais dificuldades que você encontrou/encontra no comércio on line?
GA - A falta de confiança, que ainda existe, das pessoas com relação à Internet e até a falta de cultura que o brasileiro ainda tem com esse meio de comunicação. Muita gente não usa email, não tem um perfil social (Orkut, Twitter, etc), não gosta de receber emails, só utiliza Internet estritamente no trabalho, não respondem suas mensagens, não acusam o recebimento, etc.
Cucamonga – Pode falar um pouco sobre os seus livros?
GA – Em 1996 lancei, pela Editora Universalista (Londrina / PR) dois livros: “O Bê-à-bá do Bem Viver” e “Ironias do Destinos” (contos). Consegui a editora através de contatos pela Internet. Em 2006 lancei “Ri Melhor Quem Mente Primeiro” (autobiografia humorística), com recursos próprios, pela Livro Rápido (Olinda / PE). Vendi o livro através da Internet. E em 2009 estou lançando “Deu com a pleura! matutices da cidade grande”, pela Zit Editora (Rio de Janeiro / RJ), 8ma sátira nordestina aos costumes modernos, com 29 crônicas de humor popular e 600 expressões regionais traduzidas, que também contatei pela Internet e estou fazendo toda a divulgação pela Net.
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